Mais uma vez, a paz no Reino dos cogumelos é ameaçada por Bowser, o terrível Rei Loopa, e mais uma vez, Mario, o encanador mais famoso do mundo, é chamado para resolver a situação. Sua jornada se passará no Mundo das Miniaturas, onde o bigodudo terá que comer centenas de cogumelos para poder retornar ao seu mundo e resgatar a princesa Peach. Essa é introdução da mais nova saga do encanador italiano, produzida no RPG Maker e intitulada Super Mario Come-Come. Título que alcançou merecidamente o primeiro lugar no Primeiro Concurso de Mini-Projetos da Reino RPG -- um grande evento, ocorrido no primeiro semestre desse ano, no qual os participantes tinham que, seguindo o tema “pac-man”, elaborar pequenos projetos ou mini-games.

O objetivo é o básico dos jogos de pac-man: andar por corredores estreitos recolhendo determinado item, evitando inimigos e avançando assim para o próximo estágio. É realmente uma tarefa árdua tentar adicionar elementos que tornem essa jogabilidade um diferenciada sem perder a essência original. De certo modo, Super Mario Come-Come consegue esse feito,. principalmente por dois fatores: capricho e um pouco de apelação. Qualquer um, mesmo olhando rapidamente, diria que é um game bem feito, produzido com cuidado e detalhismo. Os elementos que confirmam isso estão por toda parte do jogo, desde a parte da introdução, história e instruções apresentadas no formato de revista em quadrinhos até os efeitos sonoros e as releituras dos consagrados temas dos jogos do Mario. Em pequenos detalhes, como o display que perde opacidade e se torna transparente para permitir que o jogador ainda veja o Mario andando por trás no mapa ou mesmo o cenário construído em sua totalidade com gráficos do SNES já bem conhecidos e apreciados pelo público em combinação com gráficos originais.

Quanto à jogabilidade, o jogo conta com um movimento contínuo do personagem, ou seja, o Mario só pára quando bloquead. E também com memorização dos comandos, artifício que permite ao jogador que ele dê seu comando de mudar a direção do movimento préviamente, o sistema memoriza e o executa no momento correto. Uma ótima sacada para evitar que os jogadores tenham que enfrentar problemas de precisão, concedendo-lhes um maior controle da movimentação. Há variados tipos de itens, como a estrela que concede invencibilidade temporária, o botão P que congela todos os inimigos por certo tempo, ou a flor de fogo que concede a habilidade de lançar bolas flamejantes que destróem os inimigos. Além dos itens, os cenários, os seus elementos, são bastante diversificados, cuidando para que o jogo não se torne repetitivo e/ou monótono tão facilmente. Há estrelas, cogumelos, moedas comuns, moedas azuis, blocos de vários tipos e cores, canos que servem de esconderijo entre outros. A inteligência dos inimigos é apurada, alguns são mais rápidos e mais persistentes que outros. Talvez o fato de que este seja um mini-projeto impediu uma maior variação deles, não somente variação de inteligência ou de velocidade, mas em relação a inimigos com novos truques e artimanhas, como é de costume ver nos games da Nintendo.

São três fases para se passar de cada mundo, somando ao todo três mundos e nove fases. A curva de aprendizagem é saudável, o ínicio é fácil porém vai se tornando mais desafiador com o passar das fases. O jogo em si não apresenta muita dificuldade mas também traz certo desafio, a falta de qualquer espécie de salvamento exige do jogador uma atenção redobrada, pois erros são fatais e levam ao fatídico GameOver. O número de vidas iniciais é pequeno, mas você pode ganhar mais uma vida coletando 50 moedas. Esgotadas as vidas extras, o jogo retorna ao começo desde a primeira fase do primeiro mundo. Pelo menos, quando se perde uma vida, o cenário não volta à configuração inicial, permanecendo recolhidos os cogumelos e as moedas; já é um consolo não ter que começar o estágio outra vez.
Por fim, como se não bastasse todas essas adições ao gênero pac-man, há ainda o fator apelativo do Super Mario Come-Come, seu grande trunfo: o recorrer de boas lembranças. Quem não jogou Super Mario World quando criança? Se você é da geração do Super Nintendo Entertainment System, tem uma grande probabilidade de já ter encaixado esse cartucho no console – até porque era um game que vinha com o vídeo game. Para estes felizardos que se aventuraram naquele mundo de cogumelos coloridos, flores de fogo, estrelas saltitantes, castelos mergulhados em lava, fica aquela grande sensação de nostalgia mesmo. Os mapas, as músicas, os efeitos, tudo em apelação ao emocional! De fato, uma idéia por demais diabólica para ganhar um simples concurso!